Soft Skills para conselheiros guiam decisões conscientes

Sem flexibilidade, escuta ativa, resiliência e comunicação empática, conselhos não estarão aptos a enfrentar desafios

  • 27/06/2022
  • Daniel Santoro, Melina Lobo, Michelle Squeff e Simone Agra
  • Artigo

A jornada para se tornar um conselheiro eficaz nas organizações não se limita a dar continuidade a uma carreira executiva de sucesso. Tampouco ao direito hereditário do legado da família empresária. Frente à complexidade dos temas que transitam na organização, seja privada, pública ou mesmo do terceiro setor, é necessária uma multiplicidade de competências, algumas delas bastante específicas.

Os conselhos são órgão colegiados, onde a multiplicidade de expertises, vieses e ruídos combinados podem produzir os melhores ou os piores resultados. Tudo dependerá como este grupo de indivíduos lidará com as suas próprias potências e fragilidades. Os diálogos, os silêncios, a argumentação, a urgência e a paciência de maturação da decisão serão o veículo do desempenho.

Neste sentido, ao longo de três meses estivemos conhecendo e testando nossas competências de comunicação, como conselheiros, participando do Curso Soft Skills para Conselheiros, realizado pela Mediare e pela Better Governance que conta com o IBGC como parceiro institucional. A partir das aulas ministradas por Tania Almeida e Sandra Guerra, nos desafiamos a abrir uma caixa de ferramentas pouco utilizada e decidimos fazer isso num local particular: dentro da sala do conselho.

Entendemos a importância de ‘embrulhar para presente’ nossas considerações: uma metáfora dando forma à mensagem que se pretende transmitir. Com um laço de fita, mesmo a verdade mais dura tende a ser acolhida e endereçada. Aplicando as técnicas adequadas, percebemos que a probabilidade de alcançar um entendimento de um SIM aumenta, capturando o máximo valor presente nas relações e, em especial, nos conselhos de administração.

Vivências: elo entre teoria e prática

Tivemos a oportunidade de exercitar essas competências orientados por excelentes profissionais, tanto em cases simulados, quanto nas interações da vida real, carregando a teoria para nossas reuniões. Além de provocar reflexões importantes, o curso promoveu oportunidades de trocarmos diversas experiências com colegas que trouxeram sua vivência e seu modo de atuar nos conselhos em que participam.

O curso deixou ainda sua marca registrada ao nos apresentar novas formas de propor questionamentos – lapidando a arte de fazer as perguntas certas no conselho.

Mais do que isso, inspirado no Livro Ruído, de Daniel Kahneman e outros, o curso inovou ao nos apresentar uma dinâmica para aprimorar o processo decisório, sugerindo a adoção de um protocolo específico, o chamado MAP – Mediating  Assessment Protocol, que tem por objetivo eliminar ruídos e vieses que possam interferir no processo de construção colegiado de uma decisão.

Todo esse conjunto, envolvendo teoria, prática, cases, simulações e protocolos reforçam a importância de trabalhar continuamente em nossas Soft Skills. A máxima de que as pessoas são contratadas por sua competência e demitidas por seus comportamentos está cada vez mais atual, pois nunca se falou tanto em desenvolvimento das habilidades humanas, tais como a flexibilidade, a escuta ativa, a resiliência, a comunicação assertiva, a liderança e o trabalho em equipe.

De fato, somos desafiados todos os dias a desenvolvermos melhores habilidades comportamentais, além das habilidades técnicas exigidas nesse mundo extremamente competitivo em que vivemos, sendo que essa imersão nas Soft Skills nos preparou melhor para esse contexto atual.

Saímos do curso com a consciência de que os conselhos são órgãos vivos e únicos. Operam de modo particular, refletindo em sua dinâmica a cultura e o momento estratégico da organização, bem como as características e a diversidade (ou não) de seus membros e o nível de maturidade e apoio que pauta a relação no colegiado e entre esse e seu time executivo.

Soft Skills permitem que os conselheiros entendam a dinâmica única de cada colegiado e atuem de modo eficiente e, mais importante, de modo verdadeiro em relação aos interesses da organização. Ao saber modular suas interações e comunicação com pares e stakeholders organizacionais, e ao entender como suportar o rito protocolar para a tomada de decisão, ganhamos eficiência e potencializamos nossa colaboração à organização, sem com isso gerar ruptura ou comprometer o nível de confiança que suporta a ação e a própria existência do colegiado.

Finalizamos esse texto deixando um convite para praticarmos uma comunicação mais empática, não apenas dentro da sala do conselho, mas no nosso dia a dia. Incorporando o uso das Soft Skills nos nossos círculos pessoais, profissionais e institucionais, podemos aplicar todo esse ferramental para promovermos uma mudança de paradigma, gradativamente replicando e escalando essas práticas.

Com isso, avançamos mais uma etapa na construção de decisões, buscando preferencialmente o consenso, co-construindo uma decisão menos enviesada, menos ruidosa, mais discutida, embasada, analisada, consciente e responsável. E, assim, resgatando a essência das melhores práticas de governança corporativa.

Autores: Daniel Santoro, Melina Lobo, Michelle Squeff e Simone Agra são associados do IBGC e atuam como conselheiros de administração em diferentes organizações.

Este artigo é de responsabilidade dos autores e não reflete, necessariamente, a opinião do IBGC.

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