Como usufruir do que a sociedade 5.0 oferece?

Artigo da 5ª edição do IBGC Dialoga discute o futuro do trabalho e tecnologias  e novas competências

  • 24/08/2023
  • Luciana Esposito, IBGC Dialoga
  • Artigo

A Sociedade 5.0 e as tecnologias da indústria 4.0 têm seu desenvolvimento centrado no ser humano, focando o bem-estar da sociedade. Esse novo contexto nos apresentou termos como Internet das Coisas (IoT), inteligência artificial, cloud computing, big data, que veem disruptando o nosso dia a dia. A questão que fica é: estamos preparados para usufruir todas essas benesses?

Assim, para se usufruir das benesses da Sociedade 5.0, os diferentes países precisarão preparar a sua força de trabalho/sociedade para essa nova realidade pois, caso contrário, seus efeitos poderão vir de encontro a alguns de seus objetivos como a diminuição das desigualdades sociais, aumento da produtividade e acesso a recursos. É crucial o embarque de novas competências na força de trabalho para operar novos modelos de negócio em conjunto com um novo mindset da sociedade, e assim promoverem aumento da produtividade, sustentabilidade e acesso a recursos.

As discussões sobre o tema mostraram uma clara diferença na capacidade dos diferentes países de se adequarem ou extrair o máximo de benefícios em torno desses recursos nos próximos anos, o que nos sugere, em um primeiro momento, um risco ainda maior de agravamento das desigualdades sociais em qualquer nível, pelo menos no curto e médio prazo.

Escrever sobre o tema é um grande desafio, pois as mudanças acontecem tão rápido que esse paper pode estar obsoleto antes mesmo de ser compartilhado. As mudanças que normalmente levariam décadas para acontecer no curso normal dos contextos dos diferentes países, foram aceleradas nos últimos anos pelo evento da pandemia. Transformações esperadas para 2030, já estariam acontecendo.

O ambiente de trabalho no Brasil hoje está sendo impactado por uma nova demografia social que desafia os vínculos com as organizações, além do impacto das novas tecnologias.

Um dos elementos discutidos no Dialoga, no primeiro semestre de 2023, foi a capacidade da evolução tecnológica impactar a automação do trabalho cognitivo. Esse foi o foco central das discussões que, basearam-se na hipótese de intensificação do trabalho cognitivo, bastante influenciado pelo avanço do ChatGPT.

Mesmo na hipótese que ocorra um ajuste nas economias com relação a eliminação e criação de novos postos de trabalho – saldo positivo, isso não elimina ou minimiza o potencial impacto social, pois esse equilíbrio não ocorrerá de forma simétrica em todos os países.

O mundo já viveu isso no século passado, mas hoje fica clara a maior complexidade, fazendo com que empresas e governos tenham papel essencial na busca desse equilíbrio.

A partir deste ponto as discussões se centraram em identificar quais seriam essas novas competências que deverão ser desenvolvidas para garantir competitividade da força de trabalho.

Uma importante fonte de monitoramento das novas competências está sendo o próprio LinkedIn, que identificou uma aceleração na quantidade de competências que estariam mudando, com uma previsão que em 2027 esse número chegaria em 50%.

Ficou bastante claro que as questões sociais e demográficas são pontos também a serem considerados nesta equação, pois essas transformações tecnológicas deverão também se alinhar a novos valores e expectativas da nossa sociedade. No momento estamos vivendo em ambientes onde quatro gerações trabalham juntas, onde esse conflito de geração certamente cria valores e crenças, onde a diversidade de maneira geral (gênero, cultura, raça) passa a ter papel relevante neste contexto, pois essas novas configurações de trabalho encontrarão novos atores e, consequentemente, novas carreiras. A partir daqui as discussões envolvendo todos esses elementos se intensificam, pois existem relação de causa efeito entre eles, mas também, individualmente, seus impactos precisam ser identificados e tratados distintamente.

Exemplo dessas questões foram identificados como os vínculos com as empresas que estarão casa vez mais frágeis, intensificando a necessidade de preparação e retenção de profissionais mais generalistas com papel de articulador. Com certeza carreiras e modelos de remuneração precisarão ser redesenhados, endereçando questões como melhoria da qualidade de vida no trabalho, gerenciando risos de burnout, cada vez mais frequentes.

Ou seja, tudo isso deverá fazer com que as empresas redesenhem sua liderança, o trabalho, as rotinas. Os ambientes físicos precisarão ser repensados e modelos flexíveis possivelmente serão priorizados.

Neste ponto os Conselhos de Administração precisam estar preparados e letrados para entender e direcionar a organização para essas novas tecnologias, além de direcionar e patrocinar programas contínuos e estruturados de alinhamento cultural, atuando como guardião dessas transformações.

Este artigo foi produzido a partir da 5ª edição do IBGC Dialoga que ocorreu no período de março a junho de 2023. A iniciativa se baseia na formação de grupos, a fim de criar espaços de debate entre pares , trazendo temas da governança corporativa em setores específicos. Na temporada, os grupos foram organizados nos setores: Governança Climática, Governança das Famílias Empresárias no Agronegócio, Setor Energia, Setor Financeiro, Inovação e Tecnologia, Sociedade 5.0 e o futuro do trabalho e Startups. Para saber mais clique aqui.

Sobre a autora: Luciana Esposito é sócia da Consultoria Better Governance, com mais de 25 anos de experiência como consultora e executiva em empresas nacionais e multinacionais de capital aberto e familiares.

Este artigo é de responsabilidade dos autores e não reflete, necessariamente, a opinião do IBGC.

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