Sustentabilidade: entenda como os relatórios Sasb e GRI podem ser complementares

Segundo especialistas, escolha do relato deve estar baseada nos principais impactos sociais e ambientais da companhia

  • 26/06/2020
  • Equipe IBGC
  • Você sabia?

Diante do forte apelo global por mais informações sobre os impactos sociais e ambientais das organizações, você sabia que os relatórios de sustentabilidade das companhias ganharam múltiplos padrões nos últimos anos? E o modelo ideal para garantir mais transparência por parte das empresas parece ser uma combinação desses formatos, apontam especialistas.

“A transparência é essencial para criar confiança entre as empresas e seus stakeholders, incluindo investidores”, reconhece o gerente de projetos do Sasb (Sustainability Accounting Standards Board), Arturo Rodriguez. Na organização americana, criada em 2011 para ajudar as empresas na identificação, gerenciamento e relato de seus temas de sustentabilidade, Rodriguez acompanha e analisa a qualidade das práticas de divulgação das companhias. A iniciativa ganhou mais força este ano depois que o CEO da gestora de recursos global BlackRock Larry Fink citou o Sasb em sua carta anual como "um conjunto claro de padrões para relatar informações de sustentabilidade em uma ampla gama de questões".

O modelo de prestação de contas promovido pelo Sasb considera um conjunto de padrões de sustentabilidade que pode ser aplicado em 77 setores diferentes. Tais padrões identificam questões ambientais, sociais e de governança (ASG) que podem vir a representar impactos materiais no desempenho financeiro de uma empresa. Rodriguez explica que os padrões promovidos pela entidade miram uma perspectiva setorial, que identifica riscos e oportunidades que possam afetar a condição financeira da empresa, como seu desempenho operacional ou sua demonstração de resultados, por exemplo. Com essa abordagem de materialidade mais tradicional, orientada por aspectos financeiros, o Sasb foi bem aceito globalmente, mas seus públicos principais são as corporações e os investidores.

Já as normas da holandesa GRI (Global Reporting Initiative), fundada em 1997, apoiam uma divulgação mais ampla de informações, fornecendo estrutura e padrões para uma compreensão mais abrangente dos impactos da organização na economia, meio ambiente e na sociedade, incluindo impactos financeiros relevantes. “Os formatos são complementares, assim como a GRI é complementar ao CDP [Latin America] e ao Relato Integrado do IRC [International Integrated Reporting Council]”, diz a diretora da GRI no Brasil, Glaucia Terreo. 

Segundo ela, o mais importante é que a empresa faça uma reflexão franca sobre quais os seus principais impactos, comparar os formatos de relato disponíveis e definir quais itens expressarão de maneira mais fiel seu retrato à sociedade.  “Não se trata de uma competição, cada relato atua com propósitos e públicos distintos. As companhias realmente engajadas fazem os dois”, explicou.

Na GRI desde 2007, Glaucia detalha que o formato aborda também questões críticas de sustentabilidade, como mudanças climáticas, direitos humanos, governança e bem-estar social. Em 2017, 93% das 250 maiores empresas do mundo relatavam seu desempenho em sustentabilidade segundo os padrões GRI, de acordo com pesquisa da KPMG. 

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