Protocolo Familiar: o instrumento para apoiar a família empresária

Documento tem como base a tradição e o legado moral dos fundadores da empresa e é um direcionador ao negócio familiar

  • 13/09/2021
  • Carlos Velloso, Andriei Beber, Bruno Basso, Carl Müller, Léia Wessling e Paulo Viana
  • Artigo

Na publicação Análises e Tendências – Empresas Familiares, o IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa) registra que no Brasil 90% dos negócios encontram-se sob controle familiar, mas apenas uma parcela, de 3% a 4%, sobrevive à terceira geração. O desaparecimento de empresas familiares está relacionado à falta de mecanismos para mediar e resolver os naturais conflitos de interesse dos familiares e à desatenção na preparação dos sucessores e sucedidos.

A dinâmica das empresas de controle familiar pode ser descrita usando o “modelo de três círculos”. Este modelo foi criado pelo professor John Davis e seus colegas da Universidade de Harvard, que descreve o sistema das empresas familiares como três subsistemas independentes, mas superpostos: a Família, a Propriedade e a Empresa. O documento que pode apoiar na organização da dimensão da Família, neste modelo, é o Protocolo Familiar.

Trata-se de um acordo, firmado entre todos os membros da família. Seu conteúdo descreve a história da família empresária, seus valores e princípios, deveres e direitos, com regras sobre o relacionamento entre os membros da família e entre estes e a empresa.

— O Protocolo Familiar tem como base a tradição e o legado moral dos fundadores —

A pesquisa realizada pelo IBGC sobre “Protocolo Familiar: Aspectos da Relação Família e Negócios”, relata que as famílias empresárias entrevistadas, que possuem Protocolo Familiar, indicam que a elaboração do documento oferece os seguintes benefícios:

* fortalecimento de princípios orientadores da família;
* amadurecimento dos membros envolvidos nas discussões;
* reflexões sobre as expectativas e planos da família para o futuro; e
* clareza de papéis

Qualquer integrante da família empresária pode tomar a iniciativa e liderar a construção do Protocolo Familiar. Deverá contar com a aprovação e apoio de todos. A construção é um processo participativo e de alinhamento de todos os familiares. Desenvolve a habilidade de ouvir e decidir o que é melhor para todos e para a empresa. Recomenda-se iniciar a construção do Protocolo Familiar em um momento de harmonia e, quanto mais cedo iniciar, menos complexo será o processo.

Na pesquisa do IBGC, as famílias empresárias destacam os seguintes desafios no processo de elaboração do documento:

* grandes diferenças de idade entre os membros da família;
* grandes diferenças entre os níveis de conhecimento e sensibilização sobre temas de governança dentro da família; e
* problemas de comunicação entre os membros da família.

O Protocolo Familiar é um documento vivo que, de tempos em tempos, deve passar por uma atualização. Sua criação e aperfeiçoamento envolvem debates enriquecedores e resulta em um documento orientador para a família empresária, aumentado significativamente a probabilidade da longevidade da Família e de seus negócios.

Autores: Carlos Velloso, Andriei Beber, Bruno Basso, Carl Müller, Léia Wessling, Paulo Viana, membros do Comitê Coordenador do Capítulo SC, do IBGC.

Referências:
Caderno No. 15 do IBGC – Governança da Família Empresária
IBGC Segmentos – O Papel do Protocolo Familiar na Longevidade da Família Empresária
IBGC Pesquisa - Protocolo Familiar: Aspectos da Relação Família e Negócios
IBGC Análises & Tendências: Empresas Familiares

Este artigo é de responsabilidade dos autores e não reflete, necessariamente, a opinião do IBGC.

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