Pauta de inovação em conselhos é apontada como imperativo para competitividade

Cultura da transformação, conhecimento sobre tecnologias e tolerância ao erro são aspectos estratégicos para a perenidade dos negócios

  • 30/07/2020
  • Bárbara Calache
  • Eventos

Muito além de focar em aspectos financeiros, cresce a necessidade do debate e observância de outras pautas essenciais para a competitividade e, consequentemente, para a perenidade das organizações. É o caso da inovação, apontada como tema fundamental e estratégico a ser discutido nas reuniões dos conselhos de administração. 

Mônica Pires, coordenadora da Comissão de Inovação do IBGC, reforça a inserção da inovação na agenda de conselheiros e, mais do que isso, afirma que o ativo não é simplesmente gerado por um comitê. “A inovação deve vir do topo e seguir para todos da empresa. Deve fazer parte da cultura e DNA das organizações. E isso leva tempo. Envolve tolerância ao erro, ao teste, investimento em capacitação e reforço constante em mensagens provenientes do topo da companhia”, diz.

Para a promoção da inovação nas empresas, se antes falava-se em transformação cultural, hoje o conceito geral é de cultura da transformação, de acordo com Tiago Fantini, membro da Comissão de Conselho de Administração do IBGC. “A cultura deve ser transformadora e estar pautada na busca em avançar e quebrar novos paradigmas”, comenta. Ele reforça a necessidade do conselho em avaliar a tolerância – muito presente em startups, por exemplo – ao fracasso e aos erros, inclusive financeiros. “Essa transformação envolve resiliência e um capital paciente, além da capacitação de pessoas, instrumentação e criação de um ambiente propício para inovação”, acrescenta. 

Criar esse ambiente e inserir essa pauta nas reuniões de conselho envolvem, além do conhecimento sobre tecnologias e conceitos – squad, metodologia ágil, internet das coisas, indústria 4.0, entre muitos outros – o olhar para o mercado. “É importante cuidar para não ver somente os competidores, mas para quem está trazendo soluções para seu segmento e buscar fazer parcerias. Como conselheiros, temos que buscar a perenidade da organização e, para isso, o modelo de negócio tem que ser revisto”, acrescenta Pires. 

Essa visão pode ser intensificada, segundo Pires, com a diversidade nos conselhos, não somente de gênero, mas de cultura, de gerações e de conhecimento. Além disso, a adoção de modelos que contemplem ecossistema de inovação e o conceito de inovação aberta, para aproximação e troca entre grandes empresas tradicionais, universo acadêmico e startups são iniciativas utilizadas por muitas empresas para impulsionar a cultura de inovação. 

Nesse contexto, vale dividir o tempo das reuniões para a inclusão desses tópicos. É o que recomenda Mônica Cordeiro, coordenadora-geral do Capítulo Minas Gerais do IBGC. “Vale separar o tempo entre o foco no retrovisor, no farol baixo e no farol alto. Um calendário anual ajuda muito, para organizar o tempo dedicado a pessoas, riscos, estratégia e inovação. É necessário organizar blocos aprofundando esses temas”, diz. 

Essa discussão foi promovida durante o primeiro encontro do IBGC Dialoga - Fórum de Inovação em Conselhos, que aconteceu em 29 de julho. Ao todo, serão quatro eventos com a participação de coordenadores dos capítulos do IBGC, associados e especialistas, que debaterão sobre artigos, experiências em jornadas pela inovação, conceitos e tecnologias. O objetivo, segundo Mônica Cordeiro, é desmistificar essas tecnologias e conceitos e ressaltar essa pauta estratégica. “A inovação é muito importante: ou construímos empresas inovadoras ou aprendemos muito para nos defender do que há no mercado”, finaliza. 


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