Pandemia aproximou conselho de administração e colaboradores

Em tempos de riscos, pauta dos conselheiros está composta por temas próximos à gestão do dia a dia

  • 10/09/2020
  • Ana Paula Cardoso
  • Eventos

O impacto causado pela Covid-19 não é uma crise como outra qualquer. E não somente por afetar a saúde e causar irreparáveis perdas humanas ao redor do planeta. O vírus mexeu também com a prioridade das pautas dos conselhos de administração. “O cenário atual exigiu maior presença de conselheiros no dia a dia da gestão e maior participação deles na discussão sobre os temas relacionados às pessoas”, disse Mariângela Schumacher, diretora de operações LHH Norte/Nordeste, coach e mentora de executivos c-level.

Mariângela foi uma das participantes do Fórum de Debates - Prioridades do conselho de administração: mudanças e aprendizados, realizado na última quarta-feira (9/09), pelo Capítulo Pernambuco do IBGC. O evento contou com a troca de experiência sobre quais temas tornaram-se preeminentes para os conselhos de administração, diante da profunda mudança de cenário.

As competências de conselheiros podem ter naturezas diversas. Algumas são de natureza estratégica, outras mais operacionais. Apesar da diversidade de competências, a contribuição do conselheiro não deve se confundir com a gestão da companhia. “O conselho também não deve se isolar na compreensão dos riscos e no entendimento do negócio”, lembrou Alexandre da Fonte, coordenador do Capítulo Pernambuco do IBGC e moderador do evento.

Saem pautas protocolares, entram pessoas 

Para Fonte, o aspecto tático do planejamento, que exige conhecimento do negócio, pode ser tão importante quanto a própria estratégia — sem contar as atribuições legais designadas aos membros dos conselhos de administração. “Trata-se de um sistema complexo de escolhas de prioridades, que se tornou ainda mais complexo e mereceu olhares mais atentos nesse ambiente de tanta adversidade que estamos vivendo”, explica o coordenador do Capítulo.

Para Mariângela, houve uma quebra de paradigma, força no que tange ao distanciamento do conselho em relação ao gerenciamento das empresas. “Alguns temas mais protocolares do conselho de administração deram lugar a questões como a proteção da saúde do colaborador, da família, da comunidade e, com certeza, os conselhos passam a entrar na discussão de assuntos operacionais de forma mais ampla”, acredita a diretora de operações.

Eduardo Gouveia, conselheiro e investidor de startups concorda. Atuante em várias empresas, ele viu como as organizações reagiram aos primeiros efeitos da pandemia: primeiro pensaram nas pessoas, depois no caixa. O resultado? Maior produtividade e engajamento dos colaboradores com os propósitos da empresa. 

Gouveia completa com a visão de que a pandemia aproximou os conselhos dos gestores. E isso refletiu na cadeia de valorização dos indivíduos. “Um dos efeitos da pandemia foi mostrar que o papel de gestor de pessoas é um papel da empresa inteira. Não somente do RH. Felicidade dá lucro”, conclui o conselheiro e investidor de startups.


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