Para institucionais, temas ASG tiveram um importante papel em suas decisões de investimento

Webinar debate escalada das questões ambientais, sociais e de governança no portfólio dos grandes investidores

  • 25/06/2020
  • Equipe IBGC
  • Eventos

Ante o avanço das reflexões sobre temas ambientais, sociais e de governança (ASG) em organizações de todo o mundo em meio à pandemia, o IBGC Conecta de quinta-feira (25 de junho) discutiu quais as principais tendências envolvendo tais questões junto aos grandes investidores. Afinal, como os institucionais esperam que as empresas tratem esses temas no pós-crise? 

Mediadora do evento, a presidente do conselho consultivo da GRI Brasil e vice-presidente do conselho técnico consultivo do CDP Latin America Sonia Favaretto abriu o debate citando as cartas anuais de fundos como BlackRock e Hermes, além do tratamento de destaque que os temas ASG tiveram no Fórum Econômico Mundial de Davos deste ano. “O mundo todo tem falado em desenvolvimento sustentável, de políticos a profissionais de saúde. O momento é de uma inserção estratégica da agenda ASG no ambiente corporativo”, defendeu.

O diretor de Relacionamento com Investidores da Morrow Sodali em Londres Kiran Vasantham detalhou os resultados do último levantamento da consultoria com investidores institucionais. Todos os entrevistados pela Institutional Investor Survey 2020 afirmaram que os riscos e as oportunidades ASG tiveram um importante papel em suas decisões de investimento nos últimos 12 meses, com destaque para as questões envolvendo mudanças climáticas, no topo da lista dos investidores (86%). O risco de reputação foi visto como o segundo maior impacto ASG para as empresas (45%).

Mudanças climáticas (91%) e gestão de recursos humanos (64%) estavam entre os principais tópicos de sustentabilidade dos grandes investidores em 2020, segundo a pesquisa. Além disso, os entrevistados se mostraram prováveis apoiadores de ativistas caso a empresa questionada apresentasse fracas práticas de governança (64%) ou tivesse um histórico de alocação de capital ruim (50%). 

Da Morrow Sodali nos Estados Unidos, o diretor geral de Governança Corporativa Bill Ultan indicou ainda alguns assuntos ASG que têm tido especial impacto no país. Além da própria pandemia, que deverá materializar totalmente seus efeitos em 2021, ele apontou a questão da injustiça racial, que tem chamado a atenção dos stakeholders e levado muitas empresas a reexaminar políticas e práticas. 

Na avaliação do diretor de Participação Ativa e Engajamento da Federated Hermes, Jaime Gornsztejn, a sigla ASG pode indicar a existência de um universo paralelo para temas de sustentabilidade, fora da realidade. “Não existem dois universos, apenas um. Não existe criação de valor sustentável se a empresa polui o meio ambiente, emite carbono ou não respeita os direitos humanos”, disse. Para ele, a avaliação sobre o desempenho real das companhias é um grande desafio para os investidores. “Queremos ver evidências de aspectos ASG em todos os processos decisórios empresariais e relatórios de qualidade, com uma narrativa sobre a estratégia da companhia. Uma empresa que não olha com cuidado a questão da diversidade e inclusão em sua força de trabalho, por exemplo, é ineficiente”, ressaltou. 

Gornsztejn apontou ainda que a pandemia da Covid-19 acentuou a relevância do propósito corporativo, tema que ganhará palco também no pós-crise. “Companhias com propósitos bem estabelecidos, que permeiam a cultura corporativa e os relacionamentos com funcionários, clientes e fornecedores, têm mais robustez para enfrentar a crise e estão mais bem posicionadas para manter sua licença social para operar”, completou.


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