Manter o espírito empreendedor é o segredo da longevidade

Empresas familiares devem aproveitar a diversidade entre gerações para inovar os negócios

  • 19/11/2020
  • Ana Paula Cardoso
  • Congresso

Dentro de uma empresa familiar, como manter valores tradicionais em um mundo clamando por novidades? Este costuma ser um dilema recorrente entre os acionistas de diversas gerações deste segmento. “A única resposta possível é: as empresas familiares que conseguem durar são aquelas que convergem na cultura implantada pelas gerações anteriores e nos anseios inovadores das novas gerações”, afirmou Christine Blondel, professora de Negócios Familiares no INSEAD, durante a plenária “O futuro da governança nas empresas familiares”, um dos destaques do 21º Congresso IBGC na sexta-feira (19).

Christine disse que é comum entre as antigas gerações o receio de verem seus negócios colapsarem nas mãos dos jovens sócios. “Os fundadores se esquecem que eles mesmos já foram inovadores quando criaram suas empresas. Manter esse espírito empreendedor facilita a abertura para as novas gerações”, observou Christine.

Na experiência da Mills, empresa familiar do setor de engenharia e construção, a atenção às boas práticas de governança corporativa está presente desde a origem. A companhia investiu em consultoria especializada e criou dois conselhos de governança da família fundadora. Um composto por  acionistas familiares – grupo que cuida dos interesses da família em relação aos negócios – e um conselho de família – responsável por manter os elos de cultura e coesão de valores organizacionais. A diversidade é outra característica marcante da companhia. “A empresa foi fundada por meu pai e um amigo, ambos romenos. Um morava no Brasil e outro na Argentina”, contou Andres Cristian Nacht.

Para Antonia Nacht, membro dos conselhos de governança da família da Mills, os herdeiros têm participação ativa na companhia e se preocupam com o futuro do negócio. “Refletimos sobre como manter a faísca empreendedora acesa e deixar um legado patrimonial que possa ser atraente para a geração futura”, disse.

Diversidade dentro de casa

A diversidade das famílias empresárias é um ativo cada vez mais valorizado. “Sou médica e não desenvolvi minha carreira dentro da empresa. Quando participo das reuniões de conselho com meus irmãos, já atuantes há anos na companhia, percebo que eles gostam porque trago uma visão completamente diferente”, contou Roseli Beatriz Randon, herdeira  da 2ª geração e membro no conselho de sócios da família da Randon.

Agora, a Randon aposta na terceira geração. “Temos o apoio da segunda geração para refletir de forma estruturada sobre como vamos dar continuidade aos negócios de nossa família. Isso engloba pensar em inovar o segmento”, contou Isabelle Randon Frota, coordenadora do conselho da 3ª geração. 

A ideia de chamar as novas gerações é a peça-chave para a longevidade dos negócios, segundo Christine Blondel. Para ela, os ativos de uma empresa familiar também são os membros da família. “Os talentos da família talvez sejam o melhor capital que podemos ter. Podemos até perder a empresa, mas se tivermos os talentos unidos por um propósito, podemos reconstruir a empresa”, concluiu Christine. 

O painel contou com a moderação de Sara Hughes, presidente do Conselho Family Business Network - FBN Brazil e CEO da Scaffold Education.


O 21º Congresso IBGC acontece entre 3 e 27 de novembro e conta com patrocínio de KPMG, B3, Brunswick, Diligent, Bradesco, Cielo, Domingues Advogados, INNITI, Itaúsa e Nasdaq MZ. Para saber mais, acesse aqui 

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