“Ferramenta de métricas é um norteador da governança”

Para CEO da Perplan, Ricardo Telles, Métrica de Governança Corporativa do IBGC ajuda a empresa na meta de virar S.A. 

  • 23/04/2021
  • Ana Paula Cardoso
  • Bate-papo

“A ferramenta Métrica de Governança Corporativa do IBGC ajuda principalmente a organizar o raciocínio sobre governança corporativa e confrontá-lo com nossas práticas”. Este é o ponto de vista de Ricardo Telles, CEO da Perplan, empresa do setor de construção e incorporação imobiliária. Conselheiro de administração com certificação pelo IBGC.

Ao assumir a presidência, ele percebeu que a empresa de 21 anos, gerenciada por cinco sócios até 2016 e com uma estrutura familiar, já começava a dar seus primeiros passos na jornada de governança. Um pouco de forma intuitiva - ou, nas palavras do próprio Telles “de maneira filosófica”. “A empresa já tinha, por exemplo, um acordo de sócios. "Algo raro nas organizações de estrutura familiar”, exemplificou o CEO da Perplan.

Em 2018 a Perplan resolver responder pela primeira vez a ferramenta de Métricas de Governança Corporativa do IBGC. Em 2020, quase dobrou a pontuação. Em bate-papo com o Blog do IBGC, Ricardo Telles falou um pouco da decisão de usar a ferramenta, que tem ajudado a estruturar a empresa para cumprir uma meta:  tornar-se uma S.A. Veja a seguir a entrevista na íntegra.

IBGC. Fale um pouco do panorama da jornada de governança corporativa na Perplan?
Ricardo Telles. A Perplan é uma empresa com 21 anos que foi conduzida por cinco sócios até 2016. Eram cinco amigos, que a montaram com uma estrutura semelhante à de uma empresa familiar. Depois, foram entrando os filhos dos sócios. Foi aí que a empresa começou a ter sérios problemas de governança. Ela ficou praticamente inviável de ser conduzida, fruto de desentendimentos na sociedade e de problemas de relacionamento. Foi quando a Perplan começou a se aproximar do IBGC, contratou uma consultoria e construiu um acordo de sócios. Este acordo previa uma governança corporativa profissional na qual todos os filhos sairiam da empresa, todos os sócios sairiam da gestão e iriam para conselhos, e a empresa profissionalizaria a gestão. Havia também a previsão da contratação de um CEO, foi quando eu entrei. E em 2017 de fato começou um processo de governança corporativa. 

O que motivou a Perplan a usar Métrica de Governança Corporativa do IBGC?
Foi muito em função de seguinte: toda essa mudança na estrutura foi feita sem saber muito bem como iria funcionar. Havia muita humildade da parte dos sócios e uma certa intuição a respeito de como seria essa jornada de governança corporativa mais profissional. Mas se a governança já morava em nossa filosofia, decidimos nos aproximar de quem mais a conhecia. Foi então que eu e o presidente do conselho fomos fazer o curso e depois a certificação de conselheiros do IBGC. E posso afirmar:  a partir dali, todo o processo de governança que começou a ser adotado na empresa nasceu do que aprendemos no instituto. Seja com os professores, seja com os associados, com os eventos. Levado por esse mergulho mais profissional na governança corporativa, usarmos pela primeira vez a ferramenta de Métricas de Governança do IBGC foi um caminho natural. E ao responder o questionário nós constatamos: “nossa, nós não atendemos praticamente nada das recomendações”.

Essa constatação levou a empresa a quais ações?
Assim que respondemos a primeira pesquisa, percebemos que tínhamos muito a caminhar. Eu lembro de ter feito uma planilha de Excel bem básica com a nota média de empresas de pequeno porte, a nota média das empresas de capital aberto e por aí vai. Eu a fiz pegando algumas informações que eu consegui no site do IBGC. Apresentei esse resultado em uma reunião do conselho. E decidimos atacar nossos pontos fracos. Fizemos várias adaptações e melhorias. Mas, acima de tudo, fizemos muitos questionamentos.

Quais questionamentos?
Sobre quais eram os nossos planos de futuro. E que certamente este foi levando a outros. Já éramos procurados por investidores. Perguntavam se não queríamos abrir IPO ou se não gostaríamos de abrir capital. Iniciamos então um processo interno, ainda meio filosófico, a respeito de como gostaríamos de atuar no futuro. A empresa sempre teve, desde o princípio, uma ideia de um dia prepara-se para se transformar em uma sociedade anônima (S.A.). 

Você acredita que a Métrica de Governança Corporativa do IBGC ajuda no processo de preparar uma empresa a se tornar S.A.?
Sim. Porque se falássemos em IPO em 2018, por exemplo, ano que usamos a ferramenta pela primeira vez, ainda seria um sonho utópico. Não existia a menor possibilidade de isso acontecer com a estrutura que tínhamos de governança corporativa. Mas ao usarmos a ferramenta Métricas de Governança Corporativa do IBGC, ganhamos um norteador - e aí a meta começa a ganhar uma forma mais perto do possível. Eu diria que a métrica ajuda a empresa a organizar o que fazer e quando fazer. Por exemplo, existe na ferramenta a questão: você tem conselho fiscal? A empresa que almeja tornar-se uma S.A. sabe que a implantação de um conselho fiscal é uma das diretrizes de uma sociedade anônima.  Ou seja, a empresa que segue a métrica desenvolve-se para estar pronta para sua expansão.

O que você diria para incentivar uma empresa a usar a Métrica de Governança Corporativa do IBGC?
A ferramenta ajuda a organizar a sequência do processo de ampliação das práticas de governança corporativa. Por exemplo: não adianta sair contratando auditoria quando você não tem sequer os controles financeiros organizados. A ferramenta é estruturada para levar ao raciocínio de como ir progredindo na governança. A segunda coisa é o crescimento das pessoas. Eu acho que o uso da fermenta de métricas permite o progresso em governança corporativa também das pessoas que trabalham na organização. Isso acaba se tornando um diferencial também para apresentar a empresa à sociedade. Porque a partir da métrica, quando perguntarem como é a governança da Perplan eu vou saber cada item, cada passo do que foi feito e o que ainda não foi feito. Então, a métrica permite uma metodologia de conhecer a própria empresa.