Bengt, Lodi e um Código de Melhores Práticas

Conheça alguns momentos em que a trajetória do IBGC se confundiu com a história da própria governança no Brasil

  • 10/02/2020
  • Equipe IBGC
  • Especial 25 anos

Há pouco mais de duas décadas, o mercado de capitais brasileiro reunia um número maior de empresas listadas em bolsa na comparação com o grupo atual. No entanto, princípios de governança corporativa como transparência, prestação de contas, equidade e responsabilidade corporativa ainda eram muito incipientes. De lá para cá, houve um amadurecimento do conhecimento do mercado local sobre o tema e das próprias práticas de governança em si, ambos bastante promovidos e próximos do IBGC. Neste post especial da série sobre os 25 anos do IBGC, acompanhe alguns momentos relembrados por Heloisa Bedicks, que esteve à frente da diretoria geral do instituto por 18 anos, em que a história da organização se confundiu com a própria história e desenvolvimento da governança corporativa no Brasil:

A ideia pioneira de Bengt Hallqvist e João Bosco Lodi

A relação de Heloisa com o professor João Bosco Lodi é anterior ao IBGC. Após conhecê-lo por questões pessoais envolvendo negócios familiares, ela se tornou sua associada. “Na época, Lodi estava iniciando a formação de conselhos de administração e consultivos em empresas que ele atuava e me levava para explicar a essas famílias empresárias temas como contabilidade e finanças. Assim começou minha relação com ele e, posteriormente, com a esposa dele, Édna Lodi”, contou. Fundador do IBGC, Lodi e sua esposa faziam encontros com clientes, amigos e colegas. Em um desses encontros, Heloisa conheceu Bengt Hallqvist. Bengt foi um visionário. CEO de empresas suecas no Brasil e na América Latina, ele já tinha participado de inúmeros conselhos de administração em todo o mundo. Inspirados pelo Institute of Directors (IoD) do Reino Unido, ele e Lodi tiveram a ideia de iniciar uma entidade similar no Brasil. “Bengt era uma pessoa perspicaz, extremamente comprometia, com ideais acima de qualquer coisa. Ele nunca aceitou nada em troca do IBGC, muito pelo contrário, foi um discípulo da governança corporativa no Brasil”, contou Heloisa.

Um Código das Melhores Práticas de Governança Corporativa

A primeira edição do Código das Melhores Práticas de Governança Corporativa do IBGC foi baseada em um relatório do Reino Unido e era voltado exclusivamente para os conselhos de administração. A partir de sua segunda versão, os demais agentes de governança passaram a ser contemplados. Desde o primeiro lançamento, o documento passou por mais quatro revisões. Em 2015, foi lançada a quinta edição do código. Ainda referência nacional, a ética sempre permeou o documento, desde o início, segundo Heloisa.

Referência nacional e internacional

Por meio dessa trajetória que completa 25 anos em 2020, o IBGC se tornou uma referência nacional e também internacional em governança corporativa. A entidade recebeu diversas delegações de vários países, principalmente da América do Sul, além de representantes da Etiópia, Egito e Moçambique. “Dentro do Banco Mundial, o International Finance Corporation (IFC) tinha uma instituição que se chamava Global Corporate Governance, que já não existe mais, mas que nos considerou por um longo período um modelo a ser seguido”, disse Heloisa. Há também uma instituição internacional chamada Global Network of Directors Institute (GNDI) que congrega os maiores institutos de governança de conselheiros do mundo. Nos últimos três anos, Heloisa foi vice-presidente dessa organização. O atual presidente é o CEO do National Association of Corporate Directors (NACD), o “IBGC” dos Estados Unidos.

Empresas familiares e estatais

Ao longo dos anos, o IBGC trabalhou com ciclos de planejamento estratégico. Empresa familiar sempre foi um público-alvo do instituto, por sua grande relevância no mercado brasileiro. As empresas familiares foram crescendo e muitas delas percorreram sua jornada de governança corporativa. As empresas estatais, por sua vez, vêm ganhando bastante relevância no mercado brasileiro. Com o advento da Operação Lava Jato foi promulgada a Lei 13.3003/16, conhecida pelo mercado como Lei das Estatais, e o IBGC teve uma aproximação grande em relação a essas empresas, também um público-alvo do instituto. “Nós participamos de diversas discussões anteriores a promulgação da lei. Fizemos lançamentos de publicações relacionadas e, no último ano, fomos convidados pela Secretaria Especial de Privatização e Desestatização do Ministério da Economia para integrar um grupo que está discutindo um estatuto padrão das empresas estatais”, detalhou a ex-diretora geral.

De IBCA para IBGC

Em 1999 foi tomada a decisão de que o instituto deveria ampliar seu leque de atuação e não restringir governança corporativa apenas ao conselho de administração. “Queríamos trazer para o instituto acionistas, cotistas de empresas familiares e herdeiros, diretores, auditores, advogados e também acadêmicos de todo o país. Fizemos uma mudança estatutária e passamos a permitir que esses outros agentes de governança pudessem fazer parte do instituto”, explicou. Por isso, a mudança de IBCA (Instituto Brasileiro de Conselheiros de Administração) para IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa). 

Projetos especiais

O primeiro congresso anual do IBGC, atualmente um dos maiores e mais importantes eventos do mundo dedicado à governança, aconteceu quando o instituto completou cinco anos, em 2000. Aconteceu na Bovespa (atual B3), com apenas 50 pessoas. Na última reunião deste evento, realizada no ano passado, reunimos cerca de mil pessoas. Já o Encontro de Conselheiros é algo muito mais recente. É um evento menor porque é exclusivo para conselheiros, seja de administração, consultivos ou fiscais. A primeira Jornada Técnica, por sua vez, aconteceu em 1998. Quando completos 10 anos de realização da primeira edição, Leonardo Viegas, o então coordenador da Comissão Internacional teve a ideia de torná-la um projeto bienal. Hoje, ela acontece todos os anos pela intensa demanda. "Ano passado tivemos três edições em um mesmo ano para Israel e esse ano já temos duas turmas fechadas para o Canadá", explicou Heloisa. 

Certificação para o mercado

Uma evolução importante que houve no mercado brasileiro foi a certificação para conselheiros de administração, fiscais e, mais recentemente, para comitês de auditoria. Baseado em experiências estrangeiras, o IBGC começou no início de 2002 a entender melhor como funcionavam essas certificações. “Trouxemos para o Brasil, por volta de 2008, a primeira certificação para conselheiros de administração. Ou seja, o profissional da área é submetido a exame. O objetivo é sempre manter o conselheiro atualizado e em sua melhor versão”, garantiu Heloisa. 


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