“Avanço da remuneração dos conselheiros espelha amadurecimento do mercado”

Para gerente de Pesquisa e Conteúdo do IBGC, Luiz Martha, hoje há um entendimento maior sobre as responsabilidades e os riscos assumidos pelos conselheiros

  • 21/02/2020
  • Equipe IBGC
  • Bate-papo

Luiz Martha, gerente de Pesquisa e Conteúdo do IBGC

Mais do que apenas uma forma de atrair e manter bons profissionais, a remuneração é uma das maneiras mais eficientes de motivar equipes a perseguir os objetivos da companhia. E não é diferente entre executivos e conselheiros de administração de empresas listadas. 

Na última semana, o IBGC lançou a 7ª edição de sua pesquisa de remuneração dos administradores. Os resultados mostraram um aumento de 42,2% no salário dos conselheiros em relação à última edição, o que para o gerente de Pesquisa e Conteúdo do IBGC, Luiz Martha, pode representar um maior entendimento do mercado sobre a responsabilidade dos conselhos. Em entrevista ao Blog IBGC, Luiz Martha deu mais detalhes sobre a pesquisa. Acompanhe:

Blog IBGC: O que motivou os avanços salariais dos conselheiros no período analisado?

Luiz Martha: a remuneração é um importante incentivo aos administradores, potencial geradora de alinhamento ou desalinhamento entre sua atuação e os objetivos das organizações. O avanço dos salários detectado pela pesquisa foi possivelmente ancorado pelo bom desempenho da economia e das empresas no período analisado [2017 e 2018 foram anos de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), ainda que tímido, do Ibovespa e do lucro das empresas de capital aberto]. O crescimento maior da remuneração dos conselheiros ante os salários dos executivos também pode indicar um movimento de valorização dos conselheiros, que passa por uma melhor compreensão das responsabilidades e riscos que estão em jogo, ou seja, conselheiros e empresas estão enxergando que esses aspectos precisam ser adequadamente reconhecidos e recompensados.

E houve alguma mudança nos indicadores de desempenho utilizados pelas empresas para avaliar as remunerações?

Em linhas gerais, não. Apesar do discurso cada vez mais forte da sociedade, de investidores e das próprias empresas sobre a relevância estratégica de questões ambientais, sociais e de governança (ASG), a ideia de que a empresa deve ter um papel além de gerar resultado financeiro não ficou visível entre os indicadores de desempenho que orientaram as remunerações de executivos e conselheiros de administração. Os tradicionais termômetros financeiros e de curto prazo ainda predominam. Temos uma distância grande entre o discurso sobre a importâncias desses temas e o incentivo que o administrador recebe para dirigir a companhia. Imagino que no futuro esses indicadores ganhem importância, mas nas duas últimas edições da pesquisa não conseguimos perceber avanços nesse sentido.

Por que os presidentes de conselhos apareceram com remunerações três vezes maiores? Quais as justificativas? 

O resultado encontrado foi bastante homogêneo em todos os segmentos analisados, o que parece indicar que este é um “padrão” adotado pelo mercado. É compreensível que a remuneração dos presidentes dos conselhos seja maior, uma vez que eles acabam desempenhando papeis adicionais aos demais membros: interagem de forma mais intensa com os executivos, com os demais conselheiros e com a secretaria de governança para definir as pautas e prioridades para as reuniões, coordenam as reuniões, monitoram o processo de avaliação do conselho e dos executivos, entre outras atribuições. Agora, se o acionista identificar uma diferença exagerada entre esses valores, esse indicador pode servir como um sinal de alerta: há justificativas plausíveis para essa discrepância ou trata-se de algum tipo de conflito de interesses ou abuso de poder? 

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