O necessário compromisso com a Governança Climática

Artigo apresenta reflexões a partir do Dialoga Mudanças Climáticas (2022) e lista compromisso com o tópico do clima

  • 23/01/2023
  • Tomás Carmona - 4ª edição IBGC Dialoga
  • Artigo

Ao longo do segundo semestre de 2022, um grupo de cerca de 40 pessoas associadas ao IBGC, reservou a concorrida agenda de quatro sextas-feiras a tarde, para dialogar sobre mudanças climáticas e seus desafios de governança.

Tive o privilégio de ser convidado para organizar os encontros e desde o planejamento já vinha pensando: Como garantir o atingimento do objetivo de uma concreta troca de conhecimentos e melhores práticas, que levem a ação, dentro de um grupo diverso e influente nas várias empresas, organizações e setores que atuam?

A base de todos os encontros foi o documento: Como estabelecer uma governança climática efetiva nos conselhos de administração - Perguntas e princípios norteadores, do Fórum Econômico Mundial traduzido pelo IBGC, em 2022. O documento apresenta 8 Princípios da Governança Climática, com perguntas essenciais, que abordam a responsabilização climática nos conselhos, a análise de riscos e oportunidades materiais, o domínio do tema, a estruturação dos conselhos, a integração estratégica e organizacional, os incentivos, os relatórios e divulgações, e os intercâmbios.

Aproveito o artigo para reconhecer e agradecer a valiosa contribuição de todo o grupo, e destaco também 6 convidados especiais que ajudaram a trazer provocações nas conversas em grupos menores e na chamada sessão: “A Fala do Especialista”. Foram elas e eles: Ana Luci Grizzi, Marcelo Furtado, Mauro Cunha, Tatiana Assali, Cesar Righetti e Lucia Casasanta.

Resumir as discussões neste artigo é um grande desafio, dada a preocupação em refletir o rico debate com uma limitação de 5 mil caracteres. Seguem alguns destaques:

 Agentes de governança ainda possuem um gap de conhecimento sobre os impactos das mudanças climáticas nos diferentes negócios;

● As hipóteses apontadas para o gap de conhecimento podem estar relacionadas a: baixo interesse, falta de formação, falta de aspectos tangíveis, especificidades setoriais e até descrença na real ameaça;

Existe a necessidade de maior letramento, interação com a gestão, aplicabilidade de diferentes cenários e melhores exercícios para estabelecimento de KPIs que possam ser acompanhados e cobrados;

● Oportunidades podem ser exploradas se conselhos facilitarem a inovação, a avaliação de cases de investimentos alternativos e a revisitação de produtos, processos e tecnologias;

● Liderar a agenda climática tem um preço pelo pioneirismo, mas ajuda a puxar organizações que aprendem rápido e conseguem se destacar;

● Equilibrar as demandas de curto prazo com as necessidades de investimentos de longo prazo, são desafios comuns, além da crescente pressão regulatória e de investidores, melhor estruturação de comitês de assessoramento, alocação de capital, uso correto da materialidade e a revisão de competências dos conselheiros e sua diversidade;

● Executivos ainda recebem poucos incentivos em seus pacotes de remuneração, principalmente de longo prazo, para atuarem na gestão de riscos e oportunidades climáticas dos negócios;

● A estratégia e a cultura organizacional precisam ser trabalhadas para que mudanças climáticas sejam tratadas de forma mais natural e integrada;

● Alerta sobre a ainda dificuldade de trazer a agenda de riscos para o CA, principalmente como tema preventivo e não reativo, e seu impacto no processo decisório;

● Cuidado com a retórica no CA, que deve cobrar que os executivos não fiquem longe da realidade das operações;

Comitês temáticos, fóruns setoriais e intersetoriais, podem ser mais práticos. Empresas líderes na temática ajudam a estabelecer uma autorregulação mínima;

● O mercado de capitais, que tende a levar as mesmas soluções para os diferentes setores, deveria fazer a diferenciação por indústrias com base nos diferentes impactos negativos e positivos;

● A sociedade ainda assimila pouco para valorizar as organizações que estão na dianteira, mas cresce a preocupação com a imagem atrelada ao comportamento.

Inspirados pela COP 27, o grupo acolheu a proposta de preparar 7 compromissos que foram formalizados por meio de uma carta de compromisso. Confira na íntegra a seguir:

Carta de Compromissos do Dialoga Mudanças Climáticas 2022

Nós, participantes do Dialoga Mudanças Climáticas, promovido pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa em 2022, nos comprometemos a:

1- Continuar dialogando com regularidade, trocando experiências (virtuais e presenciais), materiais, conhecimentos, aprendizados e descobertas, sobre os riscos e oportunidades no enfrentamento dos efeitos das mudanças climáticas;

2- Fomentar agentes de mudanças, atuando como embaixadores que disseminam e influenciam conhecimento, reforçando as potencialidades do Brasil em serviços ambientais, energias renováveis e com especial atenção para a Amazônia;

3- Utilizar, sempre que possível, os 8 princípios norteadores da boa governança climática, promovidos pelo Fórum Econômico Mundial e IBGC;

4- Engajar nossos pares, empresas, organizações, pessoas de nossa convivência, jovens e membros de governos, nas pautas, decisões e implementações de natureza climática, cidadania e bem-estar social;

5- Buscar compreender e direcionar melhor nossos investimentos financeiros pessoais, sempre que possível, para ativos que sejam “climate friendly”;

6- Rever nossos hábitos pessoais e familiares, visando reduzir o impacto do nosso consumo e seus efeitos nas mudanças do clima, mesmo que pareçam muito pequenos frente ao desafio global;

7- Apoiar o IBGC para que continue a ser um indutor e acelerador no enfrentamento das Mudanças Climáticas, envolvendo Capítulos e Cadernos específicos, e evoluindo Indicadores.

Para saber mais sobre a próxima edição do IBGC Dialoga, clique aqui

Este artigo foi produzido a partir da 4ª edição do IBGC Dialoga que ocorreu no período de agosto a novembro de 2022. A iniciativa se baseia na formação de grupos, a fim de criar espaços de debate entre pares, trazendo temas da governança corporativa em setores específicos. Na temporada, os grupos foram organizados nos setores: Agro, Empresas de Controle Familiar; Energia; Mudanças climáticas; Startups; Terceiro Setor e Varejo. Tomás Carmona que assina este artigo, foi instrutor especialista do Dialoga – Mudanças Climáticas, na edição.

Sobre o autor:  Tomás Carmona atua como Instrutor do IBGC, membro do Steering Committee do Chapter Zero Brazil, Executivo de Sustentabilidade da SulAmérica, Conselheiro de organizações da sociedade civil e professor em cursos da temática ESG.


Este artigo é de responsabilidade dos autores e não reflete, necessariamente, a opinião do IBGC.

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