Programa Diversidade em Conselho debate questões climáticas

Karina Litvack, conselheira da ENI e Silvio Dulinsky, do Fórum Econômico Mundial falaram do papel dos boards na redução do impacto de carbono

  • 03/06/2021
  • Ana Paula Cardoso
  • Diversidade

A agenda climática não pode mais esperar para ser adotada pelas organizações. Este foi o ponto de convergência entre os participantes de um debate promovido na última quarta-feira ((2/06), pelo Programa Diversidade em Conselho -  iniciativa conjunta do IBGC com B3, International Finance Corporation (IFC), Spencer Stuart e WomenCorporateDirectors (WCD), que tem como objetivo promover maior diversidade de gênero nos boards. 
 
Cientes de que o tema do aquecimento global foi parar no centro dos debates corporativos, a discussão agora passou a girar em torno de como conduzir a transição dentro dos conselhos de administração. Para Karina Litvack, conselheira da ENI e uma das líderes do Climate Governance Initiative, hoje os boards questionam-se se estas mudanças passam por criar políticas e processos ou acontecerão de forma transversal.

“Mudança de cultura é crucial, mas não é suficiente”, disse Karina. Para ela, os executivos precisam ser transparentes com os boards. Os conselhos de administração, por sua vez, precisam saber questionar, mais do que responder. Para a conselheira da ENI, as companhias devem confrontar-se com as medidas necessárias para se chegar ao estágio de emissão de carbono zero. 

O que se quer de um conselheiro é coragem

Segundo Karina, a transição até a emissão zero de carbono só é possível quando se assume em qual patamar a empresa se encontra. Em outras palavras, seria encarar o quão poluidora a empresa é. “Então, é muito mais desafiador, pois as cobranças são muitas, haverá perdas e não é confortável assumir isso. Os membros dos conselhos precisam ter coragem”, completou Karina. 

Com a experiência de quem passou por um dos setores com maior emissão de carbono, a indústria petrolífera, Karina é categórica: para pensar as questões climáticas a empresa precisa tomar decisões difíceis. “Ou vamos declinar e desaparecer ou vamos nos engajar e nos comprometer com os valores de nossos consumidores”, acrescentou a conselheira. 

Entender quais são as mudanças que os stakeholders esperam das empresas é também a recomendação de Silvio Dulinsky, responsável pelo setor privado da América Latina no Fórum Econômico Mundial. Para ele, as empresas precisam cada vez mais de conselhos de administração comprometidos com uma governança corporativa que permita tomar decisões corajosas. E com visão de longo prazo.
 
“Estamos vivendo uma era na qual a transparência ocupa uma importância sem precedentes”, comentou Dulinsky. Neste aspecto, a maneira pela qual as empresas se relacionam com investidores, colaboradores e consumidores terá um impacto estrutural para os negócios. Para Dulinsky, o foco em retornos financeiros de curto prazo criará dificuldade para se assumir os riscos necessários para a criação de valor para todos os stekaholders. Por isso a discussão da agenda ESG hoje é tremendamente bem-vinda”, concluiu.

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