Principais Modelos

Em cada país, as melhores práticas de Governança Corporativa são instituídas de acordo com o seu ambiente social, econômico, corporativo e regulatório. Dadas às peculiaridades empresariais de cada país, torna-se impossível descrever de forma detalhada todos os modelos de Governança vigentes no mundo.

No entanto, podem-se dividir os sistemas de governança observando o praticado nos mercados mais desenvolvidos, os quais servem como referência aos demais países. Há duas grandes categorias, que abrigam os principais modelos adotados pelo mundo – Outsider System e Insider System. Outros modelos situam-se numa nuance entre esses dois modelos, aproximando-se mais de um ou outro sistema.

O modelo brasileiro de Governança Corporativa se aproxima mais do Insider System, com predominância da propriedade concentrada, papel relevante do mercado de dívida, forte presença de empresas familiares e controladas pelo Estado e mais orientado às partes interessadas (inclusive por disposições legais). No entanto, à medida que o mercado de capitais e os investidores institucionais ganham destaque como alternativa de financiamento para as empresas vem, aos poucos, adquirindo algumas características do modelo anglo-saxão, como a crescente importância do mercado acionário como fonte de financiamento, o surgimento de algumas empresas com capital disperso e ativismo de acionistas ganhando importância.

Outsider System

Sistema de Governança anglo-saxão (Estados Unidos e Reino Unido)
  • Acionistas pulverizados e tipicamente fora do comando diário das operações da companhia;
  • Estrutura de propriedade dispersa nas grandes empresas;
  • Papel importante do mercado de ações no crescimento e financiamento das empresas;
  • Ativismo e grande porte dos investidores institucionais;
  • Mercado com possibilidade real de aquisições hostis do controle;
  • Foco na maximização do retorno para os acionistas (orientado para o acionista).

Insider System

Sistema de Governança da Europa Continental e Japão
  • Grandes acionistas tipicamente no comando das operações diárias, diretamente ou via pessoas de sua indicação
  • Estrutura de propriedade mais concentrada;
  • Papel importante do mercado de dívida e títulos no crescimento e financiamento das empresas;
  • Frequente o controle familiar nas grandes companhias, bem como a presença do Estado como acionista relevante;
  • Presença de grandes grupos/conglomerados empresariais, muitas vezes altamente diversificados;
  • Baixo ativismo e menor porte dos investidores institucionais;
  • Reconhecimento mais explícito e sistemático de outros stakeholders não-financeiros, principalmente funcionários (orientado para as partes interessadas).

Bibliografia Consultada

ANDRADE, A. e ROSSETTI, J. P., Governança Corporativa: Fundamentos, Desenvolvimento e Tendências. 3ª ed., Atlas, 2007.

SILVEIRA, Alexandre Di Miceli da, Governança Corporativa no Brasil e no Mundo: Teoria e Prática. 1ª ed., Elsevier, 2010.

Consulte outros documentos na Biblioteca.